Crisálida
Performance-concerto
01.02.2025
Horário
18:00
Local
GMP — Piso -1
Entrada
Gratuita
“Feelings. Where are my feelings? Pergunta a voz das almas não humanas que ulula nas ondas sonoras invisíveis e viaja na garupa do vento. Essa voz, pudéssemos nós aceder aos lugares ocultos nas sombrias reentrâncias da Natureza, ouvi-la-íamos na sua amplitude máxima, compreenderíamos que sons assim só se geram no calor da vida que vibra sossegadamente. Se penso nessa voz, guardo o fôlego para que nem o ar a entrar nos pulmões me distraia dela e dos sons metálicos que vêm embrulhados na densa seda macia desse timbre. Crisálida é a personagem que preconiza esta presença, que serve de canal de transmissão, de conexão, de criação destas faúlhas de sons que caem sobre as nossas cabeças cada vez que a ouvimos abrir-se, que é como quem diz, ouvimos e vemos performar. As suas melodias acedem ao nosso interior e pedem-nos que nos recordemos da bravura infantil da qual nos dotávamos para as brincadeiras de criança que nos levavam aos embriónicos esconderijos do jardim dos avós. É nesse movimento de fecho dos olhos que vemos as cores mais belas desenharem-se nas pálpebras e ouvimos a voz das almas não humanas que é o som do movimento das borboletas sábias, crisálidas iridescentes, que convocam a presença da terra, a húmida atmosfera do que não está ao sol, a aérea vibração do vento e todos os nossos pensamentos mais originais: eis o efeito desta crisálida em mim. O seu movimento é circular, hipnotiza-nos e embala-nos numa cadência musical que nos devolve a leveza emocional presente na tradição da canção oitentista do electro-pop francês e no subtil mistério dos picos nevados de Badalamenti.”
Francisca Sousa Soares
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Crisálida é um projeto de Sofia Pinto. O termo, que deriva da coloração metálico-dourada encontrada nas pupas das borboletas, é a terceira fase da vida destes insetos, onde quase não se movem, a não ser para mexerem os seus segmentos e reproduzir sons com o objetivo de afugentar predadores.
Esta crisálida não é diferente. É estado de latência e embrião; aguarda que algo se defina para ter a bravura de sair da casca protetora. Até voar, nela se esconde, nunca adormece, embala-se com fitas de cassete e acordes de órgão, enquanto descobre como e onde está a sua voz. Asas nas costas, voo na placa de som.
Fotografias de Renato Cruz Santos
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