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Galeria Municipal do Porto

Ecologia decolonial

Malcom Ferdinand

29.05.2025

Moderação

Thais de Menezes

Horário

19:00

Local

Auditório BMAG

Idioma

Inglês (com tradução simultânea para português)

O mundo está no meio de uma tempestade que moldou a história da modernidade ao longo de uma dupla fratura: por um lado, uma fratura ambiental impulsionada por uma civilização tecnocrática e capitalista que levou à devastação contínua dos ecossistemas da Terra e das suas comunidades humanas e não humanas e, por outro, a uma fratura instalada pela colonização e pelo imperialismo ocidental que resultou na escravatura racial, na dominação de povos indígenas e de mulheres em particular.

No seu livro “Uma ecologia decolonial – Pensar a partir do mundo caribenho” (prémio da Fundação de Ecologia Política de 2019) Malcom Ferdinand desafia esta dupla fratura, pensando a partir do mundo das Caraíbas. O navio negreiro revela as desigualdades que se mantêm durante a tempestade: alguns são agrilhoados no interior do porão ou até atirados ao mar, às primeiras rajadas de vento. Com base numa investigação empírica e teórica a partir das Caraíbas, Ferdinand desenvolve o conceito “ecologia decolonial” no qual associa a proteção do ambiente às lutas políticas, contra a dominação (pós)colonial, o racismo estrutural e as práticas misóginas. Enfrentar a tempestade ecológica, saindo do porão da modernidade, é uma proposta de reflexão sobre este livro, na construção de um mundo-comum, moldado por humanos e não-humanos, que possam viver juntos em justiça.

Malcom Ferdinand nasceu em Martinica em 1985. Licenciado em engenharia ambiental pela University College London e com doutoramento em filosofia política e ciência política pela Université Paris Diderot. Recebeu o Prix du Livre de la Fondation de l’Écologie Politique em 2019 pelo livro Uma ecologia decolonial – Pensar a partir do mundo caribenho. Atualmente, é investigador do Centre National de la Recherche Scientifique e no Institut de Recherche Interdisciplinaire en Sciences Sociales da Université Paris Dauphine-PSL.

Thais de Menezes é brasileira, a viver entre o Porto e Barcelona. Integra o Programa de Estudos Independentes (PEI) no MACBA, é mestranda no curso de História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa e graduada em Dança pela Faculdade Angel Vianna (Brasil). Desenvolve uma pesquisa curatorial em práticas artísticas que transitam entre a performance e as artes visuais. Pertence, desde 2012, ao coletivo Desdito, com o filósofo Fabio de Oliveira. Juntos, têm vindo a apresentar propostas no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo (Brasil) e nos Jardins do Museu de Arte Moderna (Brasil), performances em espaços urbanos públicos e seminários em instituições de arte e cultura.
Atualmente coordena o projeto ATRAVESSA, localizado no atelier da artista no Porto, procurando ser um lugar de partilha de trabalho e criação com artistas, ativistas e pensadores na área da filosofia e literatura.

Esta conferência insere-se no Programa de Incursão à Galeria ping! em diálogo com a exposição Profundidade de Campo, de Mónica de Miranda.

Fotografias de Sérgio Monteiro

Eventos Relacionados

Profundidade de Campo

Mónica de Miranda

Exposição

29.03 — 15.06.2025

Curadoria

João Laia e Nuno Crespo