Atuais
Futuras

12.09 – 15.11.2020

PRÉMIO PAULO CUNHA E SILVA
2.ª EDIÇÃO

O Prémio de Arte Paulo Cunha e Silva foi criado em 2015, pela Câmara Municipal do Porto, como homenagem ao antigo vereador da cultura Paulo Cunha e Silva, direcionando-se a artistas com menos de 40 anos. O júri da segunda edição do prémio – Isabel Lewis, John Akomfrah, Margarida Mendes e Shumon Basar – analisou os portefólios de 48 artistas selecionados por um conjunto de 16 curadores por eles indicados. Por fim, os quatro jurados selecionaram seis finalistas, provenientes de diferentes geografias culturais e com práticas artísticas bastante distintas, cujas vozes, na sua opinião, articulam o momento atual e o que está por vir. O júri manifestou-se comovido pela sua beleza, ternura, especulação política ou simplesmente pela sua magia. O vencedor será anunciado no decorrer da exposição.
Artistas:
Basir Mahmood
Firenze Lai
Lebohang Kganye
Shaikha Al Mazrou
Song Ta
Steffani Jemison

12.09 – 15.11.2020

WAVES AND WHIRLPOOLS
LUÍS LÁZARO MATOS

Inspirada na forma triangular do espaço da mezzanine da Galeria Municipal do Porto como uma potencial metáfora do Triângulo das Bermudas, a nova série de obras criada por Luís Lázaro Matos transporta-nos para um remoinho de imagens suspensas no espaço.
Com curadoria de Martha Kirszenbaum (curadora do Pavilhão de França na 58.ª Bienal de Veneza, 2019), o projeto expositivo nasce do fascínio do artista pela mitologia do mar. Sendo a música uma das principais componentes da sua prática, Luís Lázaro Matos inspirou-se nos sete temas do seu mais recente álbum, Waves and Whirlpools, para criar os sete dípticos que constituem a exposição homónima.
As composições pictóricas e musicais, concebidas a partir de camadas sobrepostas de tinta e de sons, convidam a uma imersão em universos místicos, românticos e perturbantes, onde se distingue uma fantasia suprema de domínio sobre o oceano e as suas ondas incontroláveis.
__

Texto Curatorial

Para a sua exposição individual na Galeria Municipal do Porto, Luís Lázaro Matos (1987) – artista sediado em Lisboa e cuja prática abrange a pintura, o desenho, a música e a performance – criou um conjunto de sete dípticos inspirados em sete canções lançadas recentemente que contêm referências à mitologia do mar.

Lázaro Matos pinta intrigantes cenários repletos de ondas azul-escuras e palmeiras ‘cartoonescas’ sorridentes , assombrados por criaturas fantásticas como tartarugas marinhas, raias, polvos, baleias, mas também por pássaros e uma cadela astronauta chamada Laika. A iconografia que o artista apresenta poderá lembrar o realismo mágico da artista portuguesa Paula Rego, cuja interpretação dos contos de fadas se tornou uma importante fonte de inspiração para a sua própria abordagem. Uma personagem é recorrentemente retratada na exposição – trata-se de um autorretrato alegórico de um músico transformado em tartaruga marinha, que faz uma serenata a uma figura egípcia numa cena que evoca o Êxodo e a partição do Mar Vermelho, expressando, deste modo, a derradeira fantasia do artista de ter poder sobre o oceano e as suas incontroláveis ondas e correntes. Lázaro Matos delineou também misteriosos seres alienígenas, ecoando o seu fascínio por teorias da conspiração e pelo Triângulo das Bermudas, uma das fontes de inspiração para este projeto, também evocada pela forma arquitetónica do espaço da exposição.

Cada pintura inclui uma longa corda negra que parece interligar e relacionar todas as obras, como um fio de Ariadne sob a forma de um cabo áudio, relembrando-nos que a música está presente no âmago do trabalho de Luís Lázaro Matos. Para esta série em particular, o artista criou sete temas num punk animado e barulhento, estilisticamente inspirados pelas músicas da banda americana Sonic Youth. As letras e títulos de cada uma das canções abordam e elucidam os temas desenvolvidos nesta série de pinturas: Red Sea [Mar Vermelho], Whirlpools [Redemoinhos], Laika Surfing Cosmic Waves [Laika surfando ondas cósmicas] e Tsunami, entre outras. Nas composições musicais do artista, o arranjo baseia-se na sobreposição de diferentes instrumentos, um método também usado nas suas pinturas, com a aplicação de diversas demãos de primário e camadas de tinta. A história contada pelas suas telas é ainda pontuada pelo aparecimento de vários instrumentos musicais (guitarras, teclados ou microfones) – presença que faz transparecer um universo visual profundamente místico, romântico e perturbante.
Martha Kirszenbaum
Curadoria:
Martha Kirszenbaum
Exposições Futuras

Assine a nossa newsletter